O menino listrado bate na bola.
O cão está mudo.
Outro cão está mudo.
Todos os cães estão mudos.
O mundo está cheio de listras gritantes.
O pai, a mãe, o filho e o cão.
Outro pai.
Outra mãe.
Outro filho.
Outro cão.
Todos listrados.
Todos paralelos.
XVIII
Ah passado, como tens crescido.
Contigo pouco me preocupo.
Mas o futuro, cada vez mais mirradinho...
Esse menino não vai se criar.
02/09/2026
A mordo amor Com todos dentes Dentes cheios, Damor tecidos Carnes amornas, Carnes, sentes? Abandonado amorfismo dos sentidos Ameno amar Amarameno Amor amaro Amargo destilado dos desejos
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 20/ 02/ 2003
brotam coisas da terra dando graças aos céus o vento quer dizer algo o zinco solto retruca vento, poeira, móveis cansados concreto dormente sussurram luzes perdidas quadros desbotados de palavras soltas brotam bolores destilados de horas pedro luiz da cas viegas
porto alegre, 24 de outubro de 2004
enchi um pote com pedras roladas lá da barranca fiz o fogo na macega e guardei a cinza branca risquei teu nome na poeira que se fez sobre a estante rasguei a roupa na farpa do aramado lá da estância andei bastante, cansei inútil tanta distância sem onde se ter chegado olhei o tigre e o urso que nada sabem de reis e o cachorro amigados e vi ratos e baratas lutando silenciosos enchi um pote com pedras de lugares preciosos esperei tua resposta sem que houvesse pergunta lembrei dos meus bois da canga e me fiz parte da junta pedro luiz da cas viegas
porto alegre, 23 de oububro de 2004