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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Indo para casa


Indo para casa.

Indo para casa esqueço os detalhes mínimos que ali encontro.
No subúrbio matrizes gritam para as crias os gritos gritados a gerações.
As coisas paradas quase revelam minha vontade.
Milhares ou centenas de milhares de latidos ociosos.
Panelas e seus conteúdos fervem, quando há o que ferver.
Panelas também podem se tornar ociosas.
O trânsito é louco, enlouquece, flui na sua forma sólida, metálica, emborrachada, sobre uma matriz asfáltica.
Flui e pára incessante, dotado de vida própria.
Centenas de muitos milhares de células em vias confusas, apertadas
entre cinzas e avermelhados de prédios e nuvens carregadas de um ócio sem chuva.
O pensamento se torna ocioso nestes tórridos passos com cheiro de fuligem do diesel.
Os caminhos quase sempre se confundem embora sejam sempre os mesmos, embora não existam outros.
Sinais luminosos, sonoros, sinais pichados nas paredes, sinais de cansaço, tédio, dúvida, esperança, felicidade.
Estou quase chegando.
Logo vou lembrar de algo.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre,  8/4/2004