No azul do céu de metileno
a lua irônica
diurética
é uma gravura de sala de jantar.
Anjos da guarda em expedição noturna
velam sonos púberes
espantando mosquitos
de cortinados e grinaldas.
Pela escada em espiral
diz-que tem virgens tresmalhadas,
incorporadas à via-láctea,
vaga-lumeando...
Por uma frincha
o diabo espreita com o olho torto.
Diabo tem uma luneta
que varre léguas de sete léguas
e tem ouvido fino
que nem violino.
São Pedro dorme
e o relógio do céu ronca mecânico.
Diabo espreita por uma frincha.
Lá embaixo
suspiram bocas machucadas.
Suspiram rezas? Suspiram manso,
de amor.
E os corpos enrolados
ficam mais enrolados ainda
e a carne penetra na carne.
Que a vontade de Deus se cumpra!
Tirante Laura e talvez Beatriz,
o resto vai para o inferno.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Mostrando postagens com marcador poesia surrealista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia surrealista. Mostrar todas as postagens
domingo, 3 de fevereiro de 2013
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Randomatizes II
enquanto ouvindo música de caixilho de ouvido
à luz do lusco fusco renovando
quadrimoto, segue plenosexo à gaitada
em reviravolta: coitividas de meio em meio turno
em meio, ao sabor, emolduradamente
a turbilhões, a colmeias de enxames (quantas, quantas)
cascatarias de concordantes margaridas
e seus pólens e estames e estigmas
oh meu ser, o que seria desta luz
sem os meus olhos a ver obra toda esta
pulsa à flor daquela pele
e tão profunda - mente - pulsa
que és parte plena
de tudo algo e convulsa
Pedro Luiz Da Cas Viegas
29 de outubro de 2012
à luz do lusco fusco renovando
quadrimoto, segue plenosexo à gaitada
em reviravolta: coitividas de meio em meio turno
em meio, ao sabor, emolduradamente
a turbilhões, a colmeias de enxames (quantas, quantas)
cascatarias de concordantes margaridas
e seus pólens e estames e estigmas
oh meu ser, o que seria desta luz
sem os meus olhos a ver obra toda esta
pulsa à flor daquela pele
e tão profunda - mente - pulsa
que és parte plena
de tudo algo e convulsa
Pedro Luiz Da Cas Viegas
29 de outubro de 2012
Marcadores:
colmeias,
convulsa,
enxames,
flor,
lusco fusco,
margaridas,
pedro viegas,
pele,
poema surrealista,
poesia surrealista,
pólens,
pulsa,
turbilhões
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Inspiração
Gota n'água que faltava.
Vertente de ver-te, reflexo
Concêntrico centrado que mira o foco.
Sabor difunde, cala, maltrata,
Encerra, engloba, mira flores famintas,
Enche bocas, palavras e versos.
Verbos em silêncios.
Versos em murmúrios.
Verbos em altíssonos.
Versos aos gritos
Emergem das águas profundas.
Algum leviatã inspirado.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 09 - 11/08/2012
Vertente de ver-te, reflexo
Concêntrico centrado que mira o foco.
Sabor difunde, cala, maltrata,
Encerra, engloba, mira flores famintas,
Enche bocas, palavras e versos.
Verbos em silêncios.
Versos em murmúrios.
Verbos em altíssonos.
Versos aos gritos
Emergem das águas profundas.
Algum leviatã inspirado.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 09 - 11/08/2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Estrelamentos
Há coisas no ar...
Labaredas lambem o láparo
Sob estrelas de colostro enquanto
O lobo leva o lábaro estrelado.
E lépida lesma lavra a losna
No atulhamento do vaso.
Raízes tramam agregados
No degredo de uma terra
Sob céus azuis austrais.
Estrelamentos são possíveis,
Tudo é possível, arcos sem íris,
Gostar sem desejo: Eis o segredo da paz
Nessas águas revoltas.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 10/08/2012
Labaredas lambem o láparo
Sob estrelas de colostro enquanto
O lobo leva o lábaro estrelado.
E lépida lesma lavra a losna
No atulhamento do vaso.
Raízes tramam agregados
No degredo de uma terra
Sob céus azuis austrais.
Estrelamentos são possíveis,
Tudo é possível, arcos sem íris,
Gostar sem desejo: Eis o segredo da paz
Nessas águas revoltas.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 10/08/2012
sábado, 28 de julho de 2012
Estireno
Plastifólios. As gotas rolam livres.
Ar quasiplexo desfeito no borborigmo.
Leveza maior que a do algodão adocicado
Girando e o vento levando a bola de cor salteada.
Que memória clara e que movimentos.
Traços livres pensam moldado algo que vem,
Na semana, no fim de semana,
Um vaso velho
Arranhado ou semi quebrado,
Cola tudo, nem é possível.
Tecido, tem sido difícil,
Ter sido sarcástico,
De madeira, de carne,
De plástico.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Ar quasiplexo desfeito no borborigmo.
Leveza maior que a do algodão adocicado
Girando e o vento levando a bola de cor salteada.
Que memória clara e que movimentos.
Traços livres pensam moldado algo que vem,
Na semana, no fim de semana,
Um vaso velho
Arranhado ou semi quebrado,
Cola tudo, nem é possível.
Tecido, tem sido difícil,
Ter sido sarcástico,
De madeira, de carne,
De plástico.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Retilineamentos
Preciso continuar nesta linha.
Atesto o desconcerto na brandura calma,
Diafanar de dia findo, tepidez parada,
Luas vazias e mancheias,
Quanto custa, quanto custa.
Giro não é sério sem eixo
Imaginário ou feito de algo.
Bonecos ou não, deixam um espaço
Entre aqui e ali.
E parece haver um caminho ou mais
De uma saída.
Ao menos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Atesto o desconcerto na brandura calma,
Diafanar de dia findo, tepidez parada,
Luas vazias e mancheias,
Quanto custa, quanto custa.
Giro não é sério sem eixo
Imaginário ou feito de algo.
Bonecos ou não, deixam um espaço
Entre aqui e ali.
E parece haver um caminho ou mais
De uma saída.
Ao menos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Tua chama
Carnes em bocas ávidas,
Pétalas em água cálida,
Sumos de frutas grávidas,
Dragão sobre a pele pálida.
Suspenso em arco voltaico
Lanço palavras ao vácuo
E não me faço ouvir.
Apenas a Lua lê meus lábios
E permanece muda.
Fina seda plástica encobre tua pele
E a brisa não existe sem teu toque.
Pendem vitoriosos astros envelhecendo tua memória.
Louvada sejas enquanto brilhes em mim
E apague-se com o meu próprio olvido
Tua chama.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 16/06/2012
Pétalas em água cálida,
Sumos de frutas grávidas,
Dragão sobre a pele pálida.
Suspenso em arco voltaico
Lanço palavras ao vácuo
E não me faço ouvir.
Apenas a Lua lê meus lábios
E permanece muda.
Fina seda plástica encobre tua pele
E a brisa não existe sem teu toque.
Pendem vitoriosos astros envelhecendo tua memória.
Louvada sejas enquanto brilhes em mim
E apague-se com o meu próprio olvido
Tua chama.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 16/06/2012
Dança do cisne
Inelástica, inerente,
Inevitavelmente
Coeso ao centro do ato
No eterno átimo
De angular esforço,
Atrativamente
Orbitando no sistema
Cisma o cisne
Ensimesmado no confronto
Do oculto enfisema
Enquanto avançam nos seus cursos
Seres, deuses, astros,
Naves neste caldo cósmico,
Éter e poeira,
Pensamentos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 13/06/2012
Inevitavelmente
Coeso ao centro do ato
No eterno átimo
De angular esforço,
Atrativamente
Orbitando no sistema
Cisma o cisne
Ensimesmado no confronto
Do oculto enfisema
Enquanto avançam nos seus cursos
Seres, deuses, astros,
Naves neste caldo cósmico,
Éter e poeira,
Pensamentos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 13/06/2012
Agora
Circulo em trânsito entretecido
Em diáspora plena de vício tenso.
Vejo amêndoas agridoces ao óleo
Do viço do seio farto
E Vênus ouvindo mar na concha,
Coaxos, martelos, velhos mantras.
A lacraia riscando a cambraia
E um pote cheio no decote pleno.
Há lua de nova luz,
Velha palidez na face do poeta
Que concebe um lampejo, um anjo, um fauno.
Quero um beijo, ouça e prove
E sinta a cada passo:
O astrolábio e as estrelas,
As pegadas e os caminhos
Canibais de cada dia
Que consomem os andares
Nos conduzem
A destinos destilados no futuro.
As paredes do agora,
Pedra sobre pedra
-Poliedro-
Definitivamente se consomem
Em poemas não escritos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 22 de junho de 2012
Em diáspora plena de vício tenso.
Vejo amêndoas agridoces ao óleo
Do viço do seio farto
E Vênus ouvindo mar na concha,
Coaxos, martelos, velhos mantras.
A lacraia riscando a cambraia
E um pote cheio no decote pleno.
Há lua de nova luz,
Velha palidez na face do poeta
Que concebe um lampejo, um anjo, um fauno.
Quero um beijo, ouça e prove
E sinta a cada passo:
O astrolábio e as estrelas,
As pegadas e os caminhos
Canibais de cada dia
Que consomem os andares
Nos conduzem
A destinos destilados no futuro.
As paredes do agora,
Pedra sobre pedra
-Poliedro-
Definitivamente se consomem
Em poemas não escritos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 22 de junho de 2012
Nota: Este poema engloba o poema "Quero um beijo".
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Larva
diga ou cálice
beba revertendo
o sentido do verbo
verbo será vetor
sentido sem direção
quantas grandezas
guarda uma palavra
palavra, larva que vira
bicho de asas
esvoaçante na luz
ofuscante rebrilho da prata
de um cálice
cheio de um vinho
que bebo calado
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre –
sábado, 21 de julho de 2012
Randomatizes
Azeite e vinagre de vinho velho…
Classe nitrato, bass reflex, aracnoide.
Detrito latifólio no chão da mata.
Flato neutro, parada para ouvir:
Classe nitrato, bass reflex, aracnoide.
Detrito latifólio no chão da mata.
Flato neutro, parada para ouvir:
O dom de Brahma, a rapsódia dos blastos.
Croma: divindade magnificada na aberrância.
Tecla em lata, batucada com lua de catraca e batente
E, domo de ronda, desopilo bronco desatado.
Croma: divindade magnificada na aberrância.
Tecla em lata, batucada com lua de catraca e batente
E, domo de ronda, desopilo bronco desatado.
Segue teste adiante, acuidade na hipótese
De blasfêmia, gota aguda no tapume do zimbório.
Caiu uma ultra anágua, vejo vassoura, som na calçada:
Vendendo acelga, vai bacuri, Uiraquitã, vai!
De blasfêmia, gota aguda no tapume do zimbório.
Caiu uma ultra anágua, vejo vassoura, som na calçada:
Vendendo acelga, vai bacuri, Uiraquitã, vai!
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 27 de outubro de 2004
Assinar:
Postagens (Atom)