domingo, 7 de julho de 2013
sexta-feira, 10 de maio de 2013
O molusco
Choveu um pouco neste final de tarde. Na noite quieta
sobre a floreira, discreto, um caracol espia seu mundo. Não.
Hoje não estou disposto a matar nada. Pego o simpático molusco
e o coloco sobre uma Saintpaulia. Alguém não gosta disto. Não,
não vou atirá-lo às pedras da rua.
Agora ele deve estar continuando sua busca. Talvez
pense ao seu modo invertebrado.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, maio, 2005.
sábado, 27 de abril de 2013
Um bem-te-vi pousa na caneleira
Um bem-te-vi pousa na caneleira.
Quisera tu poder dizer o que sentes,
mas, vazio de sentidos,
limita-te a ver a ave pousada
e a ouvir seus gritos
que não decifras.
Teu silêncio abre caminho
entre a luz;
Refletido pelas folhas,
pequenos sóis gritando "bem-te-vi".
Teu silêncio é denso e sem sentido
e num átimo a ave o percebe
e alça voo até outro paradeiro.
Ficam as folhas e seus sóis agora quietos
acompanhando teu silêncio.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 12/01-28/04/ 2013.
domingo, 21 de abril de 2013
Não se mate
Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Não se mate.
- Carlos Drummond de Andrade
A garganta de Mengcheng
Minha nova casa
na garganta de Mengcheng
onde velhas árvores
e salgueiros ainda resistem.
Quem nela vai morar,
quando eu me for?
Ah, preocupações vãs
com coisas tão passageiras!
- Wang Wei
na garganta de Mengcheng
onde velhas árvores
e salgueiros ainda resistem.
Quem nela vai morar,
quando eu me for?
Ah, preocupações vãs
com coisas tão passageiras!
- Wang Wei
Visita
Ao sul de meu rancho, ao norte,
por toda parte
chuva de primavera.
Dia após dia eu só enxergo
o voo das gaivotas.
Trilhas repletas de flores,
por que varrê-las?
E para vós, abro enfim
a porta de junco.
O mercado é longe,
e para o almoço
não tenho muita escolha.
Quanto à bebida,
a casa é pobre
e só posso vos oferecer
vinho rústico.
E se convidássemos meu vizinho
para se juntar a nós?
Vou até a cerca chamá-lo;
juntos acabaremos
com esse jarro de vinho.
- Du Fu
por toda parte
chuva de primavera.
Dia após dia eu só enxergo
o voo das gaivotas.
Trilhas repletas de flores,
por que varrê-las?
E para vós, abro enfim
a porta de junco.
O mercado é longe,
e para o almoço
não tenho muita escolha.
Quanto à bebida,
a casa é pobre
e só posso vos oferecer
vinho rústico.
E se convidássemos meu vizinho
para se juntar a nós?
Vou até a cerca chamá-lo;
juntos acabaremos
com esse jarro de vinho.
- Du Fu
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Levíssimo incenso
Não estou
tranquilo. Passa o dia irremediável.
Apesar dessa
doçura, apesar dessa leveza
envolvente
em tudo, ainda assim
não estou
tranquilo.
Essa leveza
de coisa que evapora. Essa doçura
dissolvida
no silêncio.
Não estou
tranquilo.
-É a vida
que docemente se esvai como levíssimo incenso.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 14/03/2013 - 17/04/2013
sábado, 13 de abril de 2013
Macerófagos
I
Enquanto
maceram-se os alimentos
Vão
se ruminando os pensamentos
As
azias que corroem
As
idéias que corrompem
Regurgitam-se
trituradas
As
mais preciosas esperanças
II
Cavalo
que sou
Macerei
do melhor
E
no fino manto relvado
Esterquei
minhas abjeções
Asno
que sou
Ponderei
mais que o devido
E
por vezes descobri tardiamente
O
erro do caminho escolhido
III
Macerado,
deglutido
Dia
a dia ingerido
À
mesa do tempo que passa
Repleta,
farta dos eventos servidos
Macerófagos,
todos juntos macerando
Revirando,
remoendo, desfazendo a solidez
Devagar
se esvai o sumo
Devagar
se encontra o rumo
Macerófagos
macerantes
Mastigam,
trituram
Músculos,
ossos
Folhas,
fibras e sementes
Ruminam
dúvidas, certezas e temores
Dilaceram
as próprias esperanças
Num
macerar sem sabores
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto
Alegre. Junho, 2001.
sábado, 6 de abril de 2013
Você acaba de chegar do lugar onde nasci
Você que acaba de chegar
do lugar onde nasci:
deve saber de tudo
o que acontece.
Por favor,
antes de partir,
viu se na frente da janela com a cortina de seda
a pequena ameixeira de inverno
já estava florida?
-Wang Wei
do lugar onde nasci:
deve saber de tudo
o que acontece.
Por favor,
antes de partir,
viu se na frente da janela com a cortina de seda
a pequena ameixeira de inverno
já estava florida?
-Wang Wei
sábado, 2 de março de 2013
Luz
A luz do poente contra as vidraças
Reflete nesta sala uma cor dourada.
Na água que bebo sorvo dessa luz
E sinto luminoso sabor de vida,
Essa vida que correu entre estrelas,
Escorreu entre as vidraças,
Alcançou a minha água
Iluminou meu paladar
E foi-se em gotas de ocaso.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 03/03/2013
Reflete nesta sala uma cor dourada.
Na água que bebo sorvo dessa luz
E sinto luminoso sabor de vida,
Essa vida que correu entre estrelas,
Escorreu entre as vidraças,
Alcançou a minha água
Iluminou meu paladar
E foi-se em gotas de ocaso.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 03/03/2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Caro Dr.
Caro Dr.
Não suporto ignorar o
meu próprio ser.
Preciso ser o que sou nesta alma vivente.
Por mais que seja a droga potente,
Esta alma não tem mais recurso.
Eis que a vida surgiu de um impulso.
Preciso ser o que sou nesta alma vivente.
Por mais que seja a droga potente,
Esta alma não tem mais recurso.
Eis que a vida surgiu de um impulso.
Caro Dr.
Permita viver meu
niilismo abjeto.
Permita viver meu viver sem projeto.
Permita agora caminhar com meus passos,
Sem querer explicar as razões dos fracassos.
Permita viver meu viver sem projeto.
Permita agora caminhar com meus passos,
Sem querer explicar as razões dos fracassos.
Caro Dr.
Não pretendo me
enquadrar no modelo vigente.
Por mais que eu erre não deixarei de ser gente.
Por mais saciado não estarei satisfeito:
Na mais bela flor somente vejo defeitos.
Por mais que eu erre não deixarei de ser gente.
Por mais saciado não estarei satisfeito:
Na mais bela flor somente vejo defeitos.
Obrigado Dr.
Sinto agora aceitar
minha percepção deste mundo.
Aceito, desejo e alimento cada vez mais profundo.
O que eu quero e talvez tão logo consiga.
Tantas outras insânias minha alma persiga.
Aceito, desejo e alimento cada vez mais profundo.
O que eu quero e talvez tão logo consiga.
Tantas outras insânias minha alma persiga.
Paciência Dr.
A conta Dr.
Até quando Dr.
A conta Dr.
Até quando Dr.
Pedro Luiz Da Cas Viegas.
Porto Alegre, 02 de Julho de 2001
Porto Alegre, 02 de Julho de 2001
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Elegia 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
Carlos Drummond de Andrade
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Casamento do céu e do inferno
No azul do céu de metileno
a lua irônica
diurética
é uma gravura de sala de jantar.
Anjos da guarda em expedição noturna
velam sonos púberes
espantando mosquitos
de cortinados e grinaldas.
Pela escada em espiral
diz-que tem virgens tresmalhadas,
incorporadas à via-láctea,
vaga-lumeando...
Por uma frincha
o diabo espreita com o olho torto.
Diabo tem uma luneta
que varre léguas de sete léguas
e tem ouvido fino
que nem violino.
São Pedro dorme
e o relógio do céu ronca mecânico.
Diabo espreita por uma frincha.
Lá embaixo
suspiram bocas machucadas.
Suspiram rezas? Suspiram manso,
de amor.
E os corpos enrolados
ficam mais enrolados ainda
e a carne penetra na carne.
Que a vontade de Deus se cumpra!
Tirante Laura e talvez Beatriz,
o resto vai para o inferno.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
a lua irônica
diurética
é uma gravura de sala de jantar.
Anjos da guarda em expedição noturna
velam sonos púberes
espantando mosquitos
de cortinados e grinaldas.
Pela escada em espiral
diz-que tem virgens tresmalhadas,
incorporadas à via-láctea,
vaga-lumeando...
Por uma frincha
o diabo espreita com o olho torto.
Diabo tem uma luneta
que varre léguas de sete léguas
e tem ouvido fino
que nem violino.
São Pedro dorme
e o relógio do céu ronca mecânico.
Diabo espreita por uma frincha.
Lá embaixo
suspiram bocas machucadas.
Suspiram rezas? Suspiram manso,
de amor.
E os corpos enrolados
ficam mais enrolados ainda
e a carne penetra na carne.
Que a vontade de Deus se cumpra!
Tirante Laura e talvez Beatriz,
o resto vai para o inferno.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Planos
Pegar
algo,
Fazer
algo.
Pegar
um cão e passear.
Pegar
um carro e rodar.
Pegar
um martelo
Inserir
prego em madeira.
Pegar
uma pedra e atirar.
Pegar
ventos
Aspirar
frios.
Aspirar
e tremer.
Tremer
e parar.
Pensar
no próximo passo.
Passo
a passo
Estacionário
impasse
Quem
tiver vontade de aço
Que
minha vontade trespasse
E
arranque desta cadeira
Esta
cabisbaixa caveira
Mostre
o caminho do sol
Não
consigo sorrir
Vou
pegar o espelho
Atirar
ao pavimentado passeio
-Meus
cacos sérios
Serão
pisoteados
E
ficarei quieto
Meu
peso na alma
O
grito trancado por trás do gradil
Agarro
uma grade - o vão é estreito
O
horizonte que vejo
A
avenida e o vento
Caniloquazes
chamados
Serei
eu, serão eles?
Pedro
Viegas
Porto
Alegre . 7, outubro, 2001.
domingo, 2 de dezembro de 2012
Protopenso
Protopenso em azul vazio
Para libertar a mente deste moedor
Mói dor
Mó de medo
Protopenso leves flores
Sem venenos ou espinhos
Brisa fresca no relvado
Inocentemente verde
Protopenso fugir desta rede
Sinto mais do que penso
Protopenso
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 29/09/2012
Para libertar a mente deste moedor
Mói dor
Mó de medo
Protopenso leves flores
Sem venenos ou espinhos
Brisa fresca no relvado
Inocentemente verde
Protopenso fugir desta rede
Sinto mais do que penso
Protopenso
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 29/09/2012
sábado, 1 de dezembro de 2012
A adega de dias perfeitos
Tema
recorrente
Avilóquios,
canilóquios
Dia
ensolarado
Vozes,
risos
Gentes
dormitam saciadas
Ressonam
profundamente
Adormecidas
no vazio
Tema
insistente
O
mesmo tema, sempre o mesmo
O
que haveria de mudar
Com
que poder
Com
que vontade
Alterar
eternidade?
Vai
aonde?
Vai à festa?
Festa
após festa
Após
festa e o que resta
Após
uma longa doce sesta
Acumulando
um currículo de horas festejadas
Acumulando
um montículo de horas bem gozadas
A
conclusão há de chegar curta e certa
O
tempo é destilado dos eventos
E
o sono o impregna de fermentos
Avinagrado,
o fim do dia engarrafado
Rotularei
mais um na minha adega
Mais
um litro deste vinho descarnado
Pedro
Luiz Da Cas Viegas
Porto
Alegre, janeiro 2003
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Maya
Crio.
Crio para o breve instante.
Sob a luz, crio sombras.
Na água, crio ondas.
Crio meus passos n'areia
E movimento no espaço.
Vibra no som que crio
Esta voz que logo calo.
E crio minha ilusão.
Minha doce esperança.
Crio minha memória
Destinada ao olvido.
Minha vida inteira,
Minha obra efêmera.
Meu breve instante.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 23/11/2012
Crio para o breve instante.
Sob a luz, crio sombras.
Na água, crio ondas.
Crio meus passos n'areia
E movimento no espaço.
Vibra no som que crio
Esta voz que logo calo.
E crio minha ilusão.
Minha doce esperança.
Crio minha memória
Destinada ao olvido.
Minha vida inteira,
Minha obra efêmera.
Meu breve instante.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 23/11/2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Indo para casa
Indo
para casa.
Indo
para casa esqueço os detalhes mínimos que ali encontro.
No
subúrbio matrizes gritam para as crias os gritos gritados a
gerações.
As
coisas paradas quase revelam minha vontade.
Milhares
ou centenas de milhares de latidos ociosos.
Panelas
e seus conteúdos fervem, quando há o que ferver.
Panelas
também podem se tornar ociosas.
O
trânsito é louco, enlouquece, flui na sua forma sólida, metálica,
emborrachada, sobre uma matriz asfáltica.
Flui
e pára incessante, dotado de vida própria.
Centenas
de muitos milhares de células em vias confusas, apertadas
entre
cinzas e avermelhados de prédios e nuvens carregadas de um ócio sem
chuva.
O
pensamento se torna ocioso nestes tórridos passos com cheiro de
fuligem do diesel.
Os
caminhos quase sempre se confundem embora sejam sempre os mesmos,
embora não existam outros.
Sinais
luminosos, sonoros, sinais pichados nas paredes, sinais de cansaço,
tédio, dúvida, esperança, felicidade.
Estou
quase chegando.
Logo
vou lembrar de algo.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 8/4/2004
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Randomatizes II
enquanto ouvindo música de caixilho de ouvido
à luz do lusco fusco renovando
quadrimoto, segue plenosexo à gaitada
em reviravolta: coitividas de meio em meio turno
em meio, ao sabor, emolduradamente
a turbilhões, a colmeias de enxames (quantas, quantas)
cascatarias de concordantes margaridas
e seus pólens e estames e estigmas
oh meu ser, o que seria desta luz
sem os meus olhos a ver obra toda esta
pulsa à flor daquela pele
e tão profunda - mente - pulsa
que és parte plena
de tudo algo e convulsa
Pedro Luiz Da Cas Viegas
29 de outubro de 2012
à luz do lusco fusco renovando
quadrimoto, segue plenosexo à gaitada
em reviravolta: coitividas de meio em meio turno
em meio, ao sabor, emolduradamente
a turbilhões, a colmeias de enxames (quantas, quantas)
cascatarias de concordantes margaridas
e seus pólens e estames e estigmas
oh meu ser, o que seria desta luz
sem os meus olhos a ver obra toda esta
pulsa à flor daquela pele
e tão profunda - mente - pulsa
que és parte plena
de tudo algo e convulsa
Pedro Luiz Da Cas Viegas
29 de outubro de 2012
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pele,
poema surrealista,
poesia surrealista,
pólens,
pulsa,
turbilhões
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Verdade
A verdade.
A verdade e suas lâminas.
A verdade e suas pétalas.
Andar no fio da verdade.
Verdade
Mal te quero
Bem te quero.Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 18 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Fuga chuvaz
Chuva para embalar sonos
Sonos para afastar
Afastar qualquer coisa
Coisa da qual se fuja
Fugindo da chuva
Chovendo na fuga
Fuga chuvosa
Chuva fugaz
Chuva fugosa
Fuga chuvaz
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 04/09/2001
Sonos para afastar
Afastar qualquer coisa
Coisa da qual se fuja
Fugindo da chuva
Chovendo na fuga
Fuga chuvosa
Chuva fugaz
Chuva fugosa
Fuga chuvaz
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 04/09/2001
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Coincidência
Benditos frutos que brotam
De casa em casa
Da urbe, locais de dormir.
E os frutos se mostram
De casa em casa
Após tanto tempo,
Na urbe, locais de sorrir.
Sonhos e frutos na urbe
Sob o céu cinza.
Os dias, as falas, os passos
Na urbe, seja onde for,
Serão sempre os mesmos
Os dias, falas e passos,
Os frutos, sonhos e sonos,
Beijos, risos e vozes,
Deslocamentos.
Deslouco, percorro,
Distância ocorrida
E tudo eu vejo e ouço
De um ângulo de tantos
Guardado na urbe,
Num canto.
Eu, eu, eu. Sou o conteúdo,
Conteúdo que transporto,
Não importa a distância,
A altura ou velocidade.
Aqui, lá, acolá, e mais adiante,
Serei eu, eu, sempre eu
Minha carga,
Minhas tendências,
Meu próprio silêncio.
Serei eu, eu, sempre eu.
O meu próprio medo.
Não importa o templo,
A beleza da urbe, o tempo.
Serei eu, eu, sempre eu
O meu próprio consolo.
E tu serás, talvez,
Serás talvez sempre espelho,
Não importa onde estejas,
Do que eu possa ser,
Do que eu deva ser,
Do que eu me conceba,
Do que pudesse ser concebido,
Uma grande, completa e estranha
Coincidência.
Pedro Viegas
Porto Alegre, 16/março/2003
De casa em casa
Da urbe, locais de dormir.
E os frutos se mostram
De casa em casa
Após tanto tempo,
Na urbe, locais de sorrir.
Sonhos e frutos na urbe
Sob o céu cinza.
Os dias, as falas, os passos
Na urbe, seja onde for,
Serão sempre os mesmos
Os dias, falas e passos,
Os frutos, sonhos e sonos,
Beijos, risos e vozes,
Deslocamentos.
Deslouco, percorro,
Distância ocorrida
E tudo eu vejo e ouço
De um ângulo de tantos
Guardado na urbe,
Num canto.
Eu, eu, eu. Sou o conteúdo,
Conteúdo que transporto,
Não importa a distância,
A altura ou velocidade.
Aqui, lá, acolá, e mais adiante,
Serei eu, eu, sempre eu
Minha carga,
Minhas tendências,
Meu próprio silêncio.
Serei eu, eu, sempre eu.
O meu próprio medo.
Não importa o templo,
A beleza da urbe, o tempo.
Serei eu, eu, sempre eu
O meu próprio consolo.
E tu serás, talvez,
Serás talvez sempre espelho,
Não importa onde estejas,
Do que eu possa ser,
Do que eu deva ser,
Do que eu me conceba,
Do que pudesse ser concebido,
Uma grande, completa e estranha
Coincidência.
Pedro Viegas
Porto Alegre, 16/março/2003
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Luta
Luto contra ninguém
E ninguém me vence
Com certeiros golpes.
Procuro me esquivar
Mas ninguém é mais rápido.
Acerta-me um e mais outro
Golpe em seqüência dorida.
Luto contra ninguém
E ninguém me convence
De que estou a perder
Para minha própria sombra.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 10 de setembro de 2012
E ninguém me vence
Com certeiros golpes.
Procuro me esquivar
Mas ninguém é mais rápido.
Acerta-me um e mais outro
Golpe em seqüência dorida.
Luto contra ninguém
E ninguém me convence
De que estou a perder
Para minha própria sombra.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 10 de setembro de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
Arrasa-me
Pesquiso,
busco,
brusco,
preciso
Rastreio
em banda larga
Rastreio
meu rastro estreito
Desconectado
mesmo pesquiso
A
razão destas fases
Tantas
fases de fases
Pesquiso
as tuas
E
ouço adentro ouvido
Tuas
frases, teu contato
E
pesquiso, busco, penso
O
sentido que me fazes
A
falta que me trazes
Contata-me
E
então me arrases
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, maio, 2004
Amoramaro
A mordo amor Com todos dentes Dentes cheios, Damor tecidos Carnes amornas, Carnes, sentes? Abandonado amorfismo dos sentidos Ameno amar Amarameno Amor amaro Amargo destilado dos desejos
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 20/ 02/ 2003
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Inspiração
Gota n'água que faltava.
Vertente de ver-te, reflexo
Concêntrico centrado que mira o foco.
Sabor difunde, cala, maltrata,
Encerra, engloba, mira flores famintas,
Enche bocas, palavras e versos.
Verbos em silêncios.
Versos em murmúrios.
Verbos em altíssonos.
Versos aos gritos
Emergem das águas profundas.
Algum leviatã inspirado.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 09 - 11/08/2012
Vertente de ver-te, reflexo
Concêntrico centrado que mira o foco.
Sabor difunde, cala, maltrata,
Encerra, engloba, mira flores famintas,
Enche bocas, palavras e versos.
Verbos em silêncios.
Versos em murmúrios.
Verbos em altíssonos.
Versos aos gritos
Emergem das águas profundas.
Algum leviatã inspirado.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 09 - 11/08/2012
Composição
brotam coisas da terra dando graças aos céus o vento quer dizer algo o zinco solto retruca vento, poeira, móveis cansados concreto dormente sussurram luzes perdidas quadros desbotados de palavras soltas brotam bolores destilados de horas pedro luiz da cas viegas
porto alegre, 24 de outubro de 2004
Elixir
Meu mundinho paralelo.
Não conheço o que conheces
Não conheço tuas dores
Desculpa se sou distante.
Reconheço, sou disléxico
Para coisas de emoção
Mas tenho um coração
Que quer sair do letargo.
Quisera tomar um trago
De saudável elixir
De fazer brilhar a alma
Iluminando o existir.
Preciso de um ensejo
Preciso de um contato
Quem sabe com o seu beijo
Desperto, renovo de fato.
Ainda resta esperança
A vida é uma criança.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 10 de agosto de 2012.
Não conheço o que conheces
Não conheço tuas dores
Desculpa se sou distante.
Reconheço, sou disléxico
Para coisas de emoção
Mas tenho um coração
Que quer sair do letargo.
Quisera tomar um trago
De saudável elixir
De fazer brilhar a alma
Iluminando o existir.
Preciso de um ensejo
Preciso de um contato
Quem sabe com o seu beijo
Desperto, renovo de fato.
Ainda resta esperança
A vida é uma criança.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 10 de agosto de 2012.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Estrelamentos
Há coisas no ar...
Labaredas lambem o láparo
Sob estrelas de colostro enquanto
O lobo leva o lábaro estrelado.
E lépida lesma lavra a losna
No atulhamento do vaso.
Raízes tramam agregados
No degredo de uma terra
Sob céus azuis austrais.
Estrelamentos são possíveis,
Tudo é possível, arcos sem íris,
Gostar sem desejo: Eis o segredo da paz
Nessas águas revoltas.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 10/08/2012
Labaredas lambem o láparo
Sob estrelas de colostro enquanto
O lobo leva o lábaro estrelado.
E lépida lesma lavra a losna
No atulhamento do vaso.
Raízes tramam agregados
No degredo de uma terra
Sob céus azuis austrais.
Estrelamentos são possíveis,
Tudo é possível, arcos sem íris,
Gostar sem desejo: Eis o segredo da paz
Nessas águas revoltas.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 10/08/2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Endogenia I
enchi um pote com pedras roladas lá da barranca fiz o fogo na macega e guardei a cinza branca risquei teu nome na poeira que se fez sobre a estante rasguei a roupa na farpa do aramado lá da estância andei bastante, cansei inútil tanta distância sem onde se ter chegado olhei o tigre e o urso que nada sabem de reis e o cachorro amigados e vi ratos e baratas lutando silenciosos enchi um pote com pedras de lugares preciosos esperei tua resposta sem que houvesse pergunta lembrei dos meus bois da canga e me fiz parte da junta pedro luiz da cas viegas
porto alegre, 23 de oububro de 2004
Morno amor adorno
Amor
Morno amor
Amorno
Amornece o fogo dos meus dias
Arrefece
Transparece, transfigura
Engana e mutila
A razão desfigurada
Que este amor adorna
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 19-02-2003
Morno amor
Amorno
Amornece o fogo dos meus dias
Arrefece
Transparece, transfigura
Engana e mutila
A razão desfigurada
Que este amor adorna
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 19-02-2003
sábado, 28 de julho de 2012
Estireno
Plastifólios. As gotas rolam livres.
Ar quasiplexo desfeito no borborigmo.
Leveza maior que a do algodão adocicado
Girando e o vento levando a bola de cor salteada.
Que memória clara e que movimentos.
Traços livres pensam moldado algo que vem,
Na semana, no fim de semana,
Um vaso velho
Arranhado ou semi quebrado,
Cola tudo, nem é possível.
Tecido, tem sido difícil,
Ter sido sarcástico,
De madeira, de carne,
De plástico.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Ar quasiplexo desfeito no borborigmo.
Leveza maior que a do algodão adocicado
Girando e o vento levando a bola de cor salteada.
Que memória clara e que movimentos.
Traços livres pensam moldado algo que vem,
Na semana, no fim de semana,
Um vaso velho
Arranhado ou semi quebrado,
Cola tudo, nem é possível.
Tecido, tem sido difícil,
Ter sido sarcástico,
De madeira, de carne,
De plástico.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Indecorosa
Flor na minha tela
Indecorosa
Mente delicada
Pensa flora
Enquanto a miro tenso
Indecorosa
Mente delicada
Pensa flora
Enquanto a miro tenso
A imagino
Coisa nova, tez do pêssego
Então a despetalo
Na minha retina
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 01/03/2012
Deambulo
Deambulo plenamente
No amplexo do concreto.
No ar semirevolto
Tepidez de plenilúnio
Chão de ruas sujas,
Sarjetares de infortúnio.
Cresce a pressa.
Passos adensados no trajeto.
Confluem vistas para o ponto.
Vago em vias.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
No amplexo do concreto.
No ar semirevolto
Tepidez de plenilúnio
Chão de ruas sujas,
Sarjetares de infortúnio.
Cresce a pressa.
Passos adensados no trajeto.
Confluem vistas para o ponto.
Vago em vias.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Retilineamentos
Preciso continuar nesta linha.
Atesto o desconcerto na brandura calma,
Diafanar de dia findo, tepidez parada,
Luas vazias e mancheias,
Quanto custa, quanto custa.
Giro não é sério sem eixo
Imaginário ou feito de algo.
Bonecos ou não, deixam um espaço
Entre aqui e ali.
E parece haver um caminho ou mais
De uma saída.
Ao menos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Atesto o desconcerto na brandura calma,
Diafanar de dia findo, tepidez parada,
Luas vazias e mancheias,
Quanto custa, quanto custa.
Giro não é sério sem eixo
Imaginário ou feito de algo.
Bonecos ou não, deixam um espaço
Entre aqui e ali.
E parece haver um caminho ou mais
De uma saída.
Ao menos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Sapatos
Narilene ganhou três sapatos. Um deles de salto solto. Outro sem
a sola estava. Outro, desenhado a lápis sem ponta, Narilene dobrou para
colorir outro dia. E seguiu descalça pelos sonhos que podia ter.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí - 2012
Ouço
Ouço.
Transporto-me para onde não conheço.
Vejo.
Estou onde sempre estive.
Penso.
Acordado é melhor sonhar.
Transporto-me para onde não conheço.
Vejo.
Estou onde sempre estive.
Penso.
Acordado é melhor sonhar.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, --
Via Crucis
Rua larga.
Pavimento percorrido.
Passos, sussurros, agitação.
Esquecimento no caos de mil solados.
Almas pisadas enegrecidas na fuligem,
Pavimento desgastado;
Pressa, desespero, calma indiferente
Convivem no mesmo fluxo.
Pavimento percorrido.
Passos, sussurros, agitação.
Esquecimento no caos de mil solados.
Almas pisadas enegrecidas na fuligem,
Pavimento desgastado;
Pressa, desespero, calma indiferente
Convivem no mesmo fluxo.
Último refúgio,
Observatório da luta:
Mil passantes determinados,
Rumos difusos em mil trajetos
Nos labirintos de concreto.
Olhar perdido no rio caótico
Feito de olhares perdidos em incerto rumo.
Passos incertos,
Duvidosas esperanças.
O meio fio atulhado.
Detritos no esquecimento
Aguardam o destino do descarte.
O pavimento sempre renovado,
As certezas nunca comprovadas.
Via Crucis de miríades.
Sísifus cumprindo o destino.
A carga é pesada.
Sísifus cumprindo o destino.
A carga é pesada.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 2001
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Chá de jasmim III
Primeiro gole
Calêndulas floridas
Campo grosseiro
Caçador de milagres
Cachorro mateiro
Trilha dos passos
Amassa a ramagem
A picada tem fim
Inicia a viagem
Segundo gole
A marca na casca
A seiva que escorre
Na mata, na lasca,
Na vida que morre
Na folha, no caule,
Nos veios da terra
Na carne ferida,
Nos campos de guerra
Terceiro gole
Despenca o rochedo
Floresce o juá
Espinhos no couro
Saudades de lá
Ossinhos no solo
Solar solidão
O céu está nu
As nuvens se vão
Último gole
Flores na pedra
Suave rudeza
Estrelas de quinta
Primeira grandeza
Noite de cima
Na beira do rio
Corisco no escuro
Brilhar fugidio
O que foi já não volta
O ciclo sem fim
O viver que revolta
-Meu chá de jasmim!
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 5 de outubro de 2002
Calêndulas floridas
Campo grosseiro
Caçador de milagres
Cachorro mateiro
Trilha dos passos
Amassa a ramagem
A picada tem fim
Inicia a viagem
Segundo gole
A marca na casca
A seiva que escorre
Na mata, na lasca,
Na vida que morre
Na folha, no caule,
Nos veios da terra
Na carne ferida,
Nos campos de guerra
Terceiro gole
Despenca o rochedo
Floresce o juá
Espinhos no couro
Saudades de lá
Ossinhos no solo
Solar solidão
O céu está nu
As nuvens se vão
Último gole
Flores na pedra
Suave rudeza
Estrelas de quinta
Primeira grandeza
Noite de cima
Na beira do rio
Corisco no escuro
Brilhar fugidio
O que foi já não volta
O ciclo sem fim
O viver que revolta
-Meu chá de jasmim!
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 5 de outubro de 2002
Doce Ciranda (Eclipse)
Doce ciranda nossa.
Satelizo-me ao teu ser,
Perfaço no teu entorno minha órbita,
Meu trajeto no espaço duma vida .
Me eclipsas e aceitas atrativa,
Emanas teu raiar, ofusca e guia
Minha eterna idavolta em torno teu.
E já perdi minha luz própria.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Satelizo-me ao teu ser,
Perfaço no teu entorno minha órbita,
Meu trajeto no espaço duma vida .
Me eclipsas e aceitas atrativa,
Emanas teu raiar, ofusca e guia
Minha eterna idavolta em torno teu.
E já perdi minha luz própria.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Barro
Eu vejo a terra
E vejo tristeza.
Terra molhada de chuva,
E vejo tristeza.
Terra molhada de chuva,
Tristeza molhada de chuva.
Suja tristeza da terra.
A vejo triste de chuva.
A vejo chuva de terra.
Triste, vejo o que vejo:
É seca a terra em mim
E falta água que em barro
Molde uma alma, enfim.
Suja tristeza da terra.
A vejo triste de chuva.
A vejo chuva de terra.
Triste, vejo o que vejo:
É seca a terra em mim
E falta água que em barro
Molde uma alma, enfim.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, maio / 2002
Porto Alegre, maio / 2002
Miopia
Vejo as flores da paineira
Como tela impressionista.
Um borrão desta janela;
Minha lente ilusionista.
Pintura que os meus olhos
Criam, assim, à distância
Ao transformarem beleza
Em colorida aberrância.
Transformo, pois, em poema
As distorções deste dia
Para não se tornar em pena
O peso desta miopia.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 03 de abril – 01 de junho de 2012
Como tela impressionista.
Um borrão desta janela;
Minha lente ilusionista.
Pintura que os meus olhos
Criam, assim, à distância
Ao transformarem beleza
Em colorida aberrância.
Transformo, pois, em poema
As distorções deste dia
Para não se tornar em pena
O peso desta miopia.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 03 de abril – 01 de junho de 2012
Via única
Não, não quero dormir
É como morrer inutilmente
Mente inútil adormecida
Com tanta vida latente
Vida latente
Leite de vida
Vida láctea
Tanto leite derramado
Vida, única via
E suas estrelas perdidas
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, maio de 2002
É como morrer inutilmente
Mente inútil adormecida
Com tanta vida latente
Vida latente
Leite de vida
Vida láctea
Tanto leite derramado
Vida, única via
E suas estrelas perdidas
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, maio de 2002
Multidão
E então alguém diz
-O que vais fazer agora?
E outra voz responde
-Não sei para onde ir.
Sou muitos neste corpo só.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, maio 2002
Lentes
Se ao mirado o infinito revela
Um rosário de eras que findas
Nos chegam a cansadas retinas
Como pontos num vazio que impera,
Que dizer destes olhos que miram
Desta terra, nada mais que um grão
De poeira, nebulosas que giram,
Pelo cristal desta lente, esta escuridão?
Destes olhos do mesmo pó oriundos
De distanciadas eras, momentos, segundos
A fluírem na luz, nestes mecanismos,
Destas janelas perplexas diante do abismo...
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 6-8 de novembro de 2001
Um rosário de eras que findas
Nos chegam a cansadas retinas
Como pontos num vazio que impera,
Que dizer destes olhos que miram
Desta terra, nada mais que um grão
De poeira, nebulosas que giram,
Pelo cristal desta lente, esta escuridão?
Destes olhos do mesmo pó oriundos
De distanciadas eras, momentos, segundos
A fluírem na luz, nestes mecanismos,
Destas janelas perplexas diante do abismo...
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 6-8 de novembro de 2001
Reverso
Reverso
Esta sede que
cantamos
Nos faz vivos em navios
Tormentas, ventos frios
Plenitude que almejamos
Navegar em muitos mares
Novos sonhos, novos ares
Correntezas nos conduzem
Entre nuvens que seduzem
O desejo de ancorar
Se esvai à luz da aurora
Pois a sina, navegar
Se impõe como senhora
Não tem fim, não tem começo
Essa vida sem endereço
Mas repleta de amores
Dores, sons, versos e cores.
Nos faz vivos em navios
Tormentas, ventos frios
Plenitude que almejamos
Navegar em muitos mares
Novos sonhos, novos ares
Correntezas nos conduzem
Entre nuvens que seduzem
O desejo de ancorar
Se esvai à luz da aurora
Pois a sina, navegar
Se impõe como senhora
Não tem fim, não tem começo
Essa vida sem endereço
Mas repleta de amores
Dores, sons, versos e cores.
Katia Ogawa
Porto Alegre, 24 de
julho de 2012
Mimos em rimas
Mimos,
Meus mimos,
Mimos meus,
Quem me mima mais
É Deus,
Por permitir que eu viva
E aprenda a desmimar,
E quando for desmimado,
Novo monstro então criado,
Vou ensinar que o mimo
É util em versos que rimo
Por saber aproveitar
Punhaladas deste mundo
Que nada têm de mimosas
E fazem as rimas rançosas
De tanto mimar infecundo.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 27/abril/2003
Meus mimos,
Mimos meus,
Quem me mima mais
É Deus,
Por permitir que eu viva
E aprenda a desmimar,
E quando for desmimado,
Novo monstro então criado,
Vou ensinar que o mimo
É util em versos que rimo
Por saber aproveitar
Punhaladas deste mundo
Que nada têm de mimosas
E fazem as rimas rançosas
De tanto mimar infecundo.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 27/abril/2003
Angra
Atomímica bombatômica
No deca serão fogos
Fogos de arte físsil
Nos céus de artifício
De cobalto e plutônio
Dos lixões das Angras
-Digas, povo, por que sangras?
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 30/06/2002
(Edição de 03 de junho 2012)
No deca serão fogos
Fogos de arte físsil
Nos céus de artifício
De cobalto e plutônio
Dos lixões das Angras
-Digas, povo, por que sangras?
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 30/06/2002
(Edição de 03 de junho 2012)
Meditativo
Queria ser centro e sou esquecido.
Sou centro onde queria estar incógnito.
Sirva-se. As frutas estão frescas, orvalhadas
da manhã.
Sumarentas doces frutas.
Doces e delicadas peles que te envolvem.
Serena assim serena a fitar o doce
lume da manhã
que se insinua.
Teu corpo delicado dentre a bruma.
Provemos do pomar
sobre a relva inda molhada.
Seus pés nus o que temer
na relva fresca e fina.
Venha entre estas alamedas
por onde vago e se
sozinho eu me perco.
É doce o rico sumo das
frutas do pomar.
Prove.
Tome de minha boca
o sumo dessa fruta.
Dividamos.
E sobre a relva esqueçamos
olhando o céu que nos protege,
sentindo a brisa que me traz teu cheiro.
Tu és presente.
Sinto presente para a vida.
Serei eu digno de que proves
dos pomares nos quais me perco?
Dos pomares que plantei na minha mente?
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, Setembro 2001
Sou centro onde queria estar incógnito.
Sirva-se. As frutas estão frescas, orvalhadas
da manhã.
Sumarentas doces frutas.
Doces e delicadas peles que te envolvem.
Serena assim serena a fitar o doce
lume da manhã
que se insinua.
Teu corpo delicado dentre a bruma.
Provemos do pomar
sobre a relva inda molhada.
Seus pés nus o que temer
na relva fresca e fina.
Venha entre estas alamedas
por onde vago e se
sozinho eu me perco.
É doce o rico sumo das
frutas do pomar.
Prove.
Tome de minha boca
o sumo dessa fruta.
Dividamos.
E sobre a relva esqueçamos
olhando o céu que nos protege,
sentindo a brisa que me traz teu cheiro.
Tu és presente.
Sinto presente para a vida.
Serei eu digno de que proves
dos pomares nos quais me perco?
Dos pomares que plantei na minha mente?
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, Setembro 2001
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