Deambulo plenamente
No amplexo do concreto.
No ar semirevolto
Tepidez de plenilúnio
Chão de ruas sujas,
Sarjetares de infortúnio.
Cresce a pressa.
Passos adensados no trajeto.
Confluem vistas para o ponto.
Vago em vias.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
sábado, 28 de julho de 2012
Retilineamentos
Preciso continuar nesta linha.
Atesto o desconcerto na brandura calma,
Diafanar de dia findo, tepidez parada,
Luas vazias e mancheias,
Quanto custa, quanto custa.
Giro não é sério sem eixo
Imaginário ou feito de algo.
Bonecos ou não, deixam um espaço
Entre aqui e ali.
E parece haver um caminho ou mais
De uma saída.
Ao menos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Atesto o desconcerto na brandura calma,
Diafanar de dia findo, tepidez parada,
Luas vazias e mancheias,
Quanto custa, quanto custa.
Giro não é sério sem eixo
Imaginário ou feito de algo.
Bonecos ou não, deixam um espaço
Entre aqui e ali.
E parece haver um caminho ou mais
De uma saída.
Ao menos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Sapatos
Narilene ganhou três sapatos. Um deles de salto solto. Outro sem
a sola estava. Outro, desenhado a lápis sem ponta, Narilene dobrou para
colorir outro dia. E seguiu descalça pelos sonhos que podia ter.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí - 2012
Ouço
Ouço.
Transporto-me para onde não conheço.
Vejo.
Estou onde sempre estive.
Penso.
Acordado é melhor sonhar.
Transporto-me para onde não conheço.
Vejo.
Estou onde sempre estive.
Penso.
Acordado é melhor sonhar.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, --
Via Crucis
Rua larga.
Pavimento percorrido.
Passos, sussurros, agitação.
Esquecimento no caos de mil solados.
Almas pisadas enegrecidas na fuligem,
Pavimento desgastado;
Pressa, desespero, calma indiferente
Convivem no mesmo fluxo.
Pavimento percorrido.
Passos, sussurros, agitação.
Esquecimento no caos de mil solados.
Almas pisadas enegrecidas na fuligem,
Pavimento desgastado;
Pressa, desespero, calma indiferente
Convivem no mesmo fluxo.
Último refúgio,
Observatório da luta:
Mil passantes determinados,
Rumos difusos em mil trajetos
Nos labirintos de concreto.
Olhar perdido no rio caótico
Feito de olhares perdidos em incerto rumo.
Passos incertos,
Duvidosas esperanças.
O meio fio atulhado.
Detritos no esquecimento
Aguardam o destino do descarte.
O pavimento sempre renovado,
As certezas nunca comprovadas.
Via Crucis de miríades.
Sísifus cumprindo o destino.
A carga é pesada.
Sísifus cumprindo o destino.
A carga é pesada.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 2001
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Chá de jasmim III
Primeiro gole
Calêndulas floridas
Campo grosseiro
Caçador de milagres
Cachorro mateiro
Trilha dos passos
Amassa a ramagem
A picada tem fim
Inicia a viagem
Segundo gole
A marca na casca
A seiva que escorre
Na mata, na lasca,
Na vida que morre
Na folha, no caule,
Nos veios da terra
Na carne ferida,
Nos campos de guerra
Terceiro gole
Despenca o rochedo
Floresce o juá
Espinhos no couro
Saudades de lá
Ossinhos no solo
Solar solidão
O céu está nu
As nuvens se vão
Último gole
Flores na pedra
Suave rudeza
Estrelas de quinta
Primeira grandeza
Noite de cima
Na beira do rio
Corisco no escuro
Brilhar fugidio
O que foi já não volta
O ciclo sem fim
O viver que revolta
-Meu chá de jasmim!
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 5 de outubro de 2002
Calêndulas floridas
Campo grosseiro
Caçador de milagres
Cachorro mateiro
Trilha dos passos
Amassa a ramagem
A picada tem fim
Inicia a viagem
Segundo gole
A marca na casca
A seiva que escorre
Na mata, na lasca,
Na vida que morre
Na folha, no caule,
Nos veios da terra
Na carne ferida,
Nos campos de guerra
Terceiro gole
Despenca o rochedo
Floresce o juá
Espinhos no couro
Saudades de lá
Ossinhos no solo
Solar solidão
O céu está nu
As nuvens se vão
Último gole
Flores na pedra
Suave rudeza
Estrelas de quinta
Primeira grandeza
Noite de cima
Na beira do rio
Corisco no escuro
Brilhar fugidio
O que foi já não volta
O ciclo sem fim
O viver que revolta
-Meu chá de jasmim!
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 5 de outubro de 2002
Doce Ciranda (Eclipse)
Doce ciranda nossa.
Satelizo-me ao teu ser,
Perfaço no teu entorno minha órbita,
Meu trajeto no espaço duma vida .
Me eclipsas e aceitas atrativa,
Emanas teu raiar, ofusca e guia
Minha eterna idavolta em torno teu.
E já perdi minha luz própria.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Satelizo-me ao teu ser,
Perfaço no teu entorno minha órbita,
Meu trajeto no espaço duma vida .
Me eclipsas e aceitas atrativa,
Emanas teu raiar, ofusca e guia
Minha eterna idavolta em torno teu.
E já perdi minha luz própria.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Barro
Eu vejo a terra
E vejo tristeza.
Terra molhada de chuva,
E vejo tristeza.
Terra molhada de chuva,
Tristeza molhada de chuva.
Suja tristeza da terra.
A vejo triste de chuva.
A vejo chuva de terra.
Triste, vejo o que vejo:
É seca a terra em mim
E falta água que em barro
Molde uma alma, enfim.
Suja tristeza da terra.
A vejo triste de chuva.
A vejo chuva de terra.
Triste, vejo o que vejo:
É seca a terra em mim
E falta água que em barro
Molde uma alma, enfim.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, maio / 2002
Porto Alegre, maio / 2002
Miopia
Vejo as flores da paineira
Como tela impressionista.
Um borrão desta janela;
Minha lente ilusionista.
Pintura que os meus olhos
Criam, assim, à distância
Ao transformarem beleza
Em colorida aberrância.
Transformo, pois, em poema
As distorções deste dia
Para não se tornar em pena
O peso desta miopia.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 03 de abril – 01 de junho de 2012
Como tela impressionista.
Um borrão desta janela;
Minha lente ilusionista.
Pintura que os meus olhos
Criam, assim, à distância
Ao transformarem beleza
Em colorida aberrância.
Transformo, pois, em poema
As distorções deste dia
Para não se tornar em pena
O peso desta miopia.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 03 de abril – 01 de junho de 2012
Via única
Não, não quero dormir
É como morrer inutilmente
Mente inútil adormecida
Com tanta vida latente
Vida latente
Leite de vida
Vida láctea
Tanto leite derramado
Vida, única via
E suas estrelas perdidas
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, maio de 2002
É como morrer inutilmente
Mente inútil adormecida
Com tanta vida latente
Vida latente
Leite de vida
Vida láctea
Tanto leite derramado
Vida, única via
E suas estrelas perdidas
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, maio de 2002
Multidão
E então alguém diz
-O que vais fazer agora?
E outra voz responde
-Não sei para onde ir.
Sou muitos neste corpo só.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, maio 2002
Lentes
Se ao mirado o infinito revela
Um rosário de eras que findas
Nos chegam a cansadas retinas
Como pontos num vazio que impera,
Que dizer destes olhos que miram
Desta terra, nada mais que um grão
De poeira, nebulosas que giram,
Pelo cristal desta lente, esta escuridão?
Destes olhos do mesmo pó oriundos
De distanciadas eras, momentos, segundos
A fluírem na luz, nestes mecanismos,
Destas janelas perplexas diante do abismo...
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 6-8 de novembro de 2001
Um rosário de eras que findas
Nos chegam a cansadas retinas
Como pontos num vazio que impera,
Que dizer destes olhos que miram
Desta terra, nada mais que um grão
De poeira, nebulosas que giram,
Pelo cristal desta lente, esta escuridão?
Destes olhos do mesmo pó oriundos
De distanciadas eras, momentos, segundos
A fluírem na luz, nestes mecanismos,
Destas janelas perplexas diante do abismo...
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 6-8 de novembro de 2001
Reverso
Reverso
Esta sede que
cantamos
Nos faz vivos em navios
Tormentas, ventos frios
Plenitude que almejamos
Navegar em muitos mares
Novos sonhos, novos ares
Correntezas nos conduzem
Entre nuvens que seduzem
O desejo de ancorar
Se esvai à luz da aurora
Pois a sina, navegar
Se impõe como senhora
Não tem fim, não tem começo
Essa vida sem endereço
Mas repleta de amores
Dores, sons, versos e cores.
Nos faz vivos em navios
Tormentas, ventos frios
Plenitude que almejamos
Navegar em muitos mares
Novos sonhos, novos ares
Correntezas nos conduzem
Entre nuvens que seduzem
O desejo de ancorar
Se esvai à luz da aurora
Pois a sina, navegar
Se impõe como senhora
Não tem fim, não tem começo
Essa vida sem endereço
Mas repleta de amores
Dores, sons, versos e cores.
Katia Ogawa
Porto Alegre, 24 de
julho de 2012
Mimos em rimas
Mimos,
Meus mimos,
Mimos meus,
Quem me mima mais
É Deus,
Por permitir que eu viva
E aprenda a desmimar,
E quando for desmimado,
Novo monstro então criado,
Vou ensinar que o mimo
É util em versos que rimo
Por saber aproveitar
Punhaladas deste mundo
Que nada têm de mimosas
E fazem as rimas rançosas
De tanto mimar infecundo.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 27/abril/2003
Meus mimos,
Mimos meus,
Quem me mima mais
É Deus,
Por permitir que eu viva
E aprenda a desmimar,
E quando for desmimado,
Novo monstro então criado,
Vou ensinar que o mimo
É util em versos que rimo
Por saber aproveitar
Punhaladas deste mundo
Que nada têm de mimosas
E fazem as rimas rançosas
De tanto mimar infecundo.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 27/abril/2003
Angra
Atomímica bombatômica
No deca serão fogos
Fogos de arte físsil
Nos céus de artifício
De cobalto e plutônio
Dos lixões das Angras
-Digas, povo, por que sangras?
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 30/06/2002
(Edição de 03 de junho 2012)
No deca serão fogos
Fogos de arte físsil
Nos céus de artifício
De cobalto e plutônio
Dos lixões das Angras
-Digas, povo, por que sangras?
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 30/06/2002
(Edição de 03 de junho 2012)
Meditativo
Queria ser centro e sou esquecido.
Sou centro onde queria estar incógnito.
Sirva-se. As frutas estão frescas, orvalhadas
da manhã.
Sumarentas doces frutas.
Doces e delicadas peles que te envolvem.
Serena assim serena a fitar o doce
lume da manhã
que se insinua.
Teu corpo delicado dentre a bruma.
Provemos do pomar
sobre a relva inda molhada.
Seus pés nus o que temer
na relva fresca e fina.
Venha entre estas alamedas
por onde vago e se
sozinho eu me perco.
É doce o rico sumo das
frutas do pomar.
Prove.
Tome de minha boca
o sumo dessa fruta.
Dividamos.
E sobre a relva esqueçamos
olhando o céu que nos protege,
sentindo a brisa que me traz teu cheiro.
Tu és presente.
Sinto presente para a vida.
Serei eu digno de que proves
dos pomares nos quais me perco?
Dos pomares que plantei na minha mente?
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, Setembro 2001
Sou centro onde queria estar incógnito.
Sirva-se. As frutas estão frescas, orvalhadas
da manhã.
Sumarentas doces frutas.
Doces e delicadas peles que te envolvem.
Serena assim serena a fitar o doce
lume da manhã
que se insinua.
Teu corpo delicado dentre a bruma.
Provemos do pomar
sobre a relva inda molhada.
Seus pés nus o que temer
na relva fresca e fina.
Venha entre estas alamedas
por onde vago e se
sozinho eu me perco.
É doce o rico sumo das
frutas do pomar.
Prove.
Tome de minha boca
o sumo dessa fruta.
Dividamos.
E sobre a relva esqueçamos
olhando o céu que nos protege,
sentindo a brisa que me traz teu cheiro.
Tu és presente.
Sinto presente para a vida.
Serei eu digno de que proves
dos pomares nos quais me perco?
Dos pomares que plantei na minha mente?
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, Setembro 2001
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Tua chama
Carnes em bocas ávidas,
Pétalas em água cálida,
Sumos de frutas grávidas,
Dragão sobre a pele pálida.
Suspenso em arco voltaico
Lanço palavras ao vácuo
E não me faço ouvir.
Apenas a Lua lê meus lábios
E permanece muda.
Fina seda plástica encobre tua pele
E a brisa não existe sem teu toque.
Pendem vitoriosos astros envelhecendo tua memória.
Louvada sejas enquanto brilhes em mim
E apague-se com o meu próprio olvido
Tua chama.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 16/06/2012
Pétalas em água cálida,
Sumos de frutas grávidas,
Dragão sobre a pele pálida.
Suspenso em arco voltaico
Lanço palavras ao vácuo
E não me faço ouvir.
Apenas a Lua lê meus lábios
E permanece muda.
Fina seda plástica encobre tua pele
E a brisa não existe sem teu toque.
Pendem vitoriosos astros envelhecendo tua memória.
Louvada sejas enquanto brilhes em mim
E apague-se com o meu próprio olvido
Tua chama.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 16/06/2012
Reação
Seja o princípio
Ativo e perene
Absorvido no sistema.
Seja o sistema
Aflito e sereno
O contraste no seu corpo.
Sejam nossos corpos
Conteúdo e continente,
Reação e reagentes.
Amalgamados seremos.
O princípio transmutado,
O desejado equilíbrio.
Pedro LDC Viegas
Gravataí, 04/05/2012
Ativo e perene
Absorvido no sistema.
Seja o sistema
Aflito e sereno
O contraste no seu corpo.
Sejam nossos corpos
Conteúdo e continente,
Reação e reagentes.
Amalgamados seremos.
O princípio transmutado,
O desejado equilíbrio.
Pedro LDC Viegas
Gravataí, 04/05/2012
Dança do cisne
Inelástica, inerente,
Inevitavelmente
Coeso ao centro do ato
No eterno átimo
De angular esforço,
Atrativamente
Orbitando no sistema
Cisma o cisne
Ensimesmado no confronto
Do oculto enfisema
Enquanto avançam nos seus cursos
Seres, deuses, astros,
Naves neste caldo cósmico,
Éter e poeira,
Pensamentos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 13/06/2012
Inevitavelmente
Coeso ao centro do ato
No eterno átimo
De angular esforço,
Atrativamente
Orbitando no sistema
Cisma o cisne
Ensimesmado no confronto
Do oculto enfisema
Enquanto avançam nos seus cursos
Seres, deuses, astros,
Naves neste caldo cósmico,
Éter e poeira,
Pensamentos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 13/06/2012
Agora
Circulo em trânsito entretecido
Em diáspora plena de vício tenso.
Vejo amêndoas agridoces ao óleo
Do viço do seio farto
E Vênus ouvindo mar na concha,
Coaxos, martelos, velhos mantras.
A lacraia riscando a cambraia
E um pote cheio no decote pleno.
Há lua de nova luz,
Velha palidez na face do poeta
Que concebe um lampejo, um anjo, um fauno.
Quero um beijo, ouça e prove
E sinta a cada passo:
O astrolábio e as estrelas,
As pegadas e os caminhos
Canibais de cada dia
Que consomem os andares
Nos conduzem
A destinos destilados no futuro.
As paredes do agora,
Pedra sobre pedra
-Poliedro-
Definitivamente se consomem
Em poemas não escritos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 22 de junho de 2012
Em diáspora plena de vício tenso.
Vejo amêndoas agridoces ao óleo
Do viço do seio farto
E Vênus ouvindo mar na concha,
Coaxos, martelos, velhos mantras.
A lacraia riscando a cambraia
E um pote cheio no decote pleno.
Há lua de nova luz,
Velha palidez na face do poeta
Que concebe um lampejo, um anjo, um fauno.
Quero um beijo, ouça e prove
E sinta a cada passo:
O astrolábio e as estrelas,
As pegadas e os caminhos
Canibais de cada dia
Que consomem os andares
Nos conduzem
A destinos destilados no futuro.
As paredes do agora,
Pedra sobre pedra
-Poliedro-
Definitivamente se consomem
Em poemas não escritos.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 22 de junho de 2012
Nota: Este poema engloba o poema "Quero um beijo".
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