terça-feira, 24 de julho de 2012

Tergiversos

Oh minha paixão...
Não há como ser épico.
Meus versos, tergiversos,
Falam do vento,
Canções sem acordes,
Moinhos e giros,
Pipas no alto
Catando azul.

E, nos céus de Cabul
Ou qualquer cidade,
Que a brisa guarde
O segredo da flor
Que guardei para ti.

 


Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 27/06/2012

















Relíquias

Guardei o seu sorriso
No âmbar da memória.
Relíquia fóssil
No fundo da gaveta.
Retrato em sépia
Testemunho de outra era
E um pôr do sol
Secando uma rosa.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 24/06/2012

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Beba água

Beba muita água
Sais, solutos, eis que somos.
Dissolva a mágoa até a concentração
De um sorriso
De incisivos ou até cisos.
Ais precipitados nos tecidos
Serão levados no enxágue.
Beba água, muita água.
Somos sais, solutos
E um conjunto de atributos
De controle rigoroso.
Evite o sentimento indigesto;
Meça antes
A palavra e o gesto
E beba água,
Muita água.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 29-30/06/2012

Uma gota

Aromas, cantigas de roda
Sorrisos dispersos no meio
Claves de sois poentes
E luas cheias de tudo.

Chakras expostos na areia
E um coração de cigarra.
Uma gota de azul
Do azul desse céu

De incenso tão leve
De tão leve intenso
Quero provar ao fim do calor
E da luz deste dia

Para levar a um sonho.


Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 29/06/2012

Larva

diga ou cálice
beba revertendo
o sentido do verbo
verbo será vetor
sentido sem direção
quantas grandezas
guarda uma palavra
palavra, larva que vira
bicho de asas
esvoaçante na luz
ofuscante rebrilho da prata
de um cálice
cheio de um vinho
que bebo calado

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre –

Tempo

O meu tempo 
O teu tempo
Estas coisas imiscíveis
Nossos tempos impossíveis
Ocupando o mesmo espaço
Em uma fotografia
Passamos despercebidos
Nesta grande galeria
Que se encobre de poeira
O meu tempo
O teu tempo
Quem vai querer perder tempo
Prestando atenção a nós dois?
 

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 09/07/2012

Ilha

Porção de mim 
Cercado de teus cuidados
De todos os lados

Isolado do mundo
Esquecido de mim
Não mais te vejo ou ouço


Um mar vazio
Ou cheio de algo que nos é estranho
Ocupa o espaço que antes era somente teu


Precisamos de uma garrafa
E algumas mensagens
Para fazer uma grande travessia

E trazer de volta ao contato nossas orlas
E preencher com nossas vidas as águas desses mares


Pedro Luiz Da Cas Viegas 
Gravataí, 09/07/2012 – 20/07/2012

Dança



Densa dança que condensa
Intensa chama desses passos
Tão leves quanto os olhares
Mais leves que os espaços.

As dimensões de um cosmos
Cria e trama em compassos.
Avança e traça segundos
Feitos de tons e matizes.

E nessa luz te encontro
Fazemos parte do drama.
Sou sua cor, movimento

E és tu que me conduzes
Por estes tempos que ardem
Entre risos, fogos e luzes.


Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 10/07/2012

Sede

Alma amiga,
Não sou um sensitivo,
Tampouco sinestésico.
Também procuro lenitivo,
Também procuro anestésico.
Mas, alma, por que voas longe
Por estes arrabaldes?

Cansaste dos teus sonhos,
Buscas novos ares.
Cheia de incertezas,
Anseias por altares.

Alma, por que vagar tão densa?
Deixes o teu peso como a nuvem
De boa e fecunda chuva
Sobre a terra que a aguarda.

Fiques, chovas em versos
O que sentes,
Faças do poema a vertente
De onde se sacia a sede,
Esta sede que sentimos.

Esta sede que cantamos.

Pedro Luiz Da Cas Viegas,
Gravataí, 22/07/2012

domingo, 22 de julho de 2012

Segredo

Concha. Refúgio da ostra
Solidão nacarada
No seio do mar.

Ostra. Abraças, proteges,
A riqueza da tua dor.

Mergulharei nessas águas,
Buscarei teu segredo
Para que brilhes ao sol.



Pedro Luiz Da Cas Viegas. 
Gravataí, 04-22/07/2012







sábado, 21 de julho de 2012

Randomatizes

Azeite e vinagre de vinho velho…
Classe nitrato, bass reflex, aracnoide.
Detrito latifólio no chão da mata.
Flato neutro, parada para ouvir:

O dom de Brahma, a rapsódia dos blastos.
Croma: divindade magnificada na aberrância.
Tecla em lata, batucada com lua de catraca e batente
E, domo de ronda, desopilo bronco desatado.

Segue teste adiante, acuidade na hipótese
De blasfêmia, gota aguda no tapume do zimbório.
Caiu uma ultra anágua, vejo vassoura, som na calçada:
Vendendo acelga, vai bacuri, Uiraquitã, vai!


Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 27 de outubro de 2004

Eternos

Plástico, concreto, asfalto,
Fibra de vidro, velhas estrelas.
O céu está quieto.
Ebulem dias no outro lado do mundo.
Ainda ouço os latidos de outrora.

Os velhos latidos 
Agora são novos, os mesmos,
Eternos.


Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 14/03/2012